Iniciada em meados de 2007, a TV digital (DTV) no Brasil já tem dois anos e ainda engatinha, lentamente. Preço alto dos conversores, atraso no cronograma de implantação, não padronização da transmissão, perda de sinal e dificuldade de instalação são alguns dos empecilhos enfrentados pelos telespectadores.
A penetração da TV digital neste um ano de operação não atingiu as expectativas. Contribuiram para isto o preço dos conversores, as dificuldades de cobertura e a quantidade limitada de programas.
O preço dos conversores se mostrou um desafio para a popularização da TV digital no Brasil. Os set-top-boxes tiveram preço médio avaliado entre R$ 700,00 e R$ 800,00.
Com uma média de 3,5 usuários por aparelho, o Brasil tem 40 milhões usuários de TV, destes, apenas 250 mil, 0,3% do total, recebem o sinal digital implantado em 2007.
Concordo com Gustavo Gindre, um dos representantes da sociedade civil no Comitê Gestor da Internet no Brasil e integrante do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, a baixa atratividade da TV digital é causada pelo modelo equivocado adotado aqui.
O uso do padrão japonês de modulação, juntamente com a opção da nova tecnologia feita pelas emissoras, não oferece ao telespectador interatividade automaticamente integrada com o aparelho.
A única vantagem da DTV brasileira é a imagem com alta qualidade e, por isso, enfrenta concorrência de outras mídias que oferecem mais canais e funcionalidades interativas, como a TV por assinatura, IPTV e a internet.
“A TV digital aberta no Brasil é a velha TV aberta analógica, apenas com uma imagem melhor – e, mesmo assim, somente onde não há áreas de sombras”, nas palavras de Gindre.
Grandes oportunidades de transformações foram negligenciadas em por conta dos interesses dos radiodifusores e não há razão para que o cidadão deseje comprar um set top box.
Se quer serviços interativos, o usuário tem a internet. Se quer muitos canais, vai para a TV paga ou para a TV a Gato. Por essas e outras, a penetração da TV digital aberta ainda é baixíssima e não há perspectivas realistas da curva de adoção mudar nos próximos anos.
Mesmo nos principais centros urbanos a cobertura de antenas é deficiente, seja por características topográficas, comuns em áreas com acidentes geográficos como o Rio de Janeiro, ou por extensão de área e mistura de sinais, comuns em São Paulo.
Isso se deve, principalmente, pelo fato que as antenas, emissoras e receptoras, precisam ter visibilidade direta entre si para otimizar a recepção do sinal digital. Se há prédios, árvores ou outros obstáculos entre as antenas o sinal pode ser anulado.
A escolha e a instalação da antena são complicadas, podendo ser de diferentes modelos UHF, com ou sem uso de amplificadores, externos à residência fazendo uso de mastros para elevá-la, evitando obstáculos entre ela e a transmissora.
Maíra Bagnariolli
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